
21 anos sem Gonzagão Homem que influenciou gerações e que traduziu a alma nordestina com a sanfona no peito gerou a maior herança: o forró
Severino Lopes // severinolopes.pb@dabr.com.br
Com a sanfona no peito, Luiz Gonzaga traduziu a alma nordestina. Andou pelo chão duro da região carregando no coração o sentimento de seu povo. O artista que se tornaria o "Rei do Baião" fez história na música brasileira. Há 60 anos, ele gravou o "Forró de Mane Zito", a primeira música a ser batizada de forró. Dai pra frente, o forró ganhou impulso. Inegavelmente Luiz Gonzaga influenciou diretamente na carreira de centenas de artistas nordestinos que como ele defende o forró pé de serra em que a sanfona é magestade insubstituível.
Consagrado, Luiz cantou o cotidiano do povo nordestino Foto: Asa Branca/Divulgação
Há exatamente 21 anos, Luiz Gonzaga, um dos maiores ícones da música brasileira partiu. A voz melodiosa que cantou a seca, a dor, as alegrias, fé e esperança do nordestino se calou. A velha sanfona, eterna companheira de anos de estrada, parou de tocar. Ficou apenas a obra e um legado enorme. Sua morte abriu uma lacuna impreenchível na música regional, mas inspirou outros artistas a continuarem na estrada defendendo a bandeira forró. Oartista que morreu no dia 2 de agosto de 1989, às 15h15, no Hospital Santa Joana, Recife, onde estava internado há 42 dias, partiu deixando para seus sucessores, a missão de continuarem divulgando sua obra.
Em mais de 50 anos de carreira, Luiz Gonzaga compôs cerca de 700 músicas, popularizou a sanfona e fez questão de escolher o herdeiro que levaria adiante o gênero onde cabem todos os ritmos nordestinos. Dominguinhos não esquece o dia em que recebeu o reconhecimento "Eu ainda lembro o dia em que ele me apresentou, o herdeiro artístico dele. Eu tinha 16 anos. Foi uma emoção muito grande", lembrou Dominguinhos, na última sexta-feira, em entrevista ao DB. "Luiz Gonzaga segundo Dominguinhos, foi único. Sua música foi universal e transpôs o Nordeste".
Com mais de 50 anos de carreira e tido como o sucessor de Luiz Gonzaga, Dominguinhos garante que a obra de Gonzagão foi eternizada e criou uma identidade cultural no Nordeste. "A música dele é universal", sublinhou. Conhecido como o "Rei do Baião", Luiz Gonzaga abriu novas fronteiras para o forró e influenciou centenas de artistas. Inegavelmente, o homem que nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, município de Exu, localizado no sopé da Serra do Araripe, Pernambuco, fez o forró romper fronteiras. Depois dele, outros artistas surgiram, como Marinês, eterna 'rainha do xaxado' e Elba Ramalho.
Batizado 'de rei do xote', Flávio José é um dos forrozeiros que se sente discípulo de Luiz Gonzaga e não nega que o 'rei do baião' influenciou em sua obra. "Tudo começou com Luiz Gonzaga. Ele é o responsável por tudo isso", reafirmou ao DB, o 'Caboclo Sonhador" . Em seus shows faz questão de cantar músicas de Gonzagão.
Nesse universo de majestade, o 'rei do forró' também bebe na fonte do 'rei do baião'. Alcymar Monteiro garante que sua carreira teve influência do pernambucano de Exú. Para Alcymar, a obra de Gonzagão é universal. "Não tem como falar em forró sem associar a Luiz Gonzaga", disse. O pesquisador José Lira garante que a obra de Luiz Gonzaga criou um sentimento no Nordeste, e por isso, influenciou tantos artistas.